O que eu acredito sobre evangelismo?

Por Thiaguitar (Thiago Bomfim) em 15 setembro 2008 na categoria Artigos, Espiritual

Se fosse sintetizar tudo o que eu tenho a dizer a conclusão seria: Eu acredito em evangelismo contextualizado.

Evangelismo contextualizado é aquele que se adapta à situação/condição daquele momento, e isso significa diferenciar-se da corrente contemporânea de “estratégias”.

Se nos tempos da igreja primitiva funcionou que se gritasse a palavra nas praças, isso só deu certo porque o contexto da situação permitiu. Gritar a uma multidão de pessoas, em uma época onde mal se tem permissão para se falar baixo em sua casa, é contextualizar a mensagem saindo da estratégia comum. Nos dias de hoje gritar a uns milhares de ouvidos é fazer o apelo que a publicidade faz, que a TV faz e que todos os veículos focados na persuasão fazem com maestria.

Publiquei uma lista para coisas sem qualquer eficácia, então  é justo que exista uma lista para coisas que funcionem. Vamos à ela:

  • Missões: o evangelismo missionário não é novidade, a sua proposta é que nunca fica velha. A mensagem é levada, ao pobre, ao índio, ao rico, ao universitário, ao analfabeto, de acordo com a liguagem que são capazes de entender. Missões leva ao extremo a contextualização das boas novas.
  • Relacionamentos: se isso é evangelismo? Estou certo que é. Diferente do que se divulga em igrejas do G12, essa relação entre pessoas é cultivar relacionamentos sem intenções evangelísticas. É amar o próximo, se preocupar com ele, perguntar se ele precisa de algo… É um estilo de boa vizinhança que leva o reino de Deus que está em sua vida para fazer do viver de outras pessoas algo melhor. Sou franco em afirmar que pode não ser o objetivo converter pessoas ao cristianismo, mas se a sua relação com alguém cria pessoas melhores, faz do homem um marido mais interessado, do adolescente um filho mais compreensivo , fique certo que você trouxe parte do reino para o viver na Terra. Não disse que seria fácil.
  • Justiça social: outra vez o evangelismo que traz o reino como ferramenta para a melhoria da vida de outras pessoas. Alguns podem afirmar que isso não é evangelizar. Talvez não é de forma explícita, mas como diz Derek Webb em uma de suas melhores músicas: eu abandonaria a espada (Bíblia) se ela não fizesse o bem. Se a minha mensagem não serve para mudar vidas, não devo continuar pregando. Já perceberam como cada milagre que Jesus fez na Bíblia visava sempre trazer dignidade às pessoas? Até mesmo os ricos carecem disso! Os pobres ainda mais.
  • Igreja: se igreja for o relacionamento de pessoas que são o corpo de Cristo, com certeza ela é o maior instrumento de evangelismo dos nossos dias. Na igreja há círculos sociais que incluem. A fé individualizada é difícil, diria que impossível.

Na minha lista falo de coisas que tratam as pessoas de forma particular e que, ao mesmo tempo, as incluem em grupos que compartilham de uma mesma fé e estilo de vida.

Evangelismo que trata as pessoas como grupo, estátística, usando técnicas de persuasão, está falido e fora de contexto. Contextualizar é se aproximar, compreender situações, falar no mesmo nível de linguagem, amar sem segundas intenções.

Postado originalmente na Livraria do Thiago.

Dexter e o código de Harry que todos seguimos

Por Thiaguitar (Thiago Bomfim) em 7 julho 2008 na categoria Arte, Artigos, Espiritual

dexter_ralo Dexter é uma famosa série de TV, exibida pela FOX e no client de Torrent mais próximo de você, onde o protagonista é um serial killer que mata outros assassinos do mesmo naipe.

O especialista da polícia da cidade encantada dos apóstolos foragidos, Miami, contém o seu desejo assassino por meio de um código de conduta ditado por Harry, seu falecido pai adotivo. Basicamente o código se resume a:

  • Só matarás assassinos de pessoas inocentes
  • Só matarás quando existirem provas concretas contra a maldade da vítima
  • Não deixarás pistas

A série, subversiva a níveis altíssimos, usa a inteligência e a sutileza para questionar padrões de comportamento e ética.Eis a controvérsia: Dexter com toda a sua contida maldade é um retrato de cada um de nós, cristãos ou não.

A Bíblia afirma que todos nascemos em pecado, logo isso nos afasta de Deus. Esse distanciamento de Deus pode ter inúmeros significados. A maior conotação do estar afastado é o fato de que fomos criados à imagem e semelhança do Criador, porém o pecado nos distancia, logo não somos como Ele. Não ser como Deus é ser mau. Ele é amor, se não somos mais à sua semelhança não somos mais dotados de amor. Aí então surge o código que coloca os limites em toda a nossa deturpada e má natureza.

Nosso herói Dexter foi afastado de sua imaculada natureza infantil, ao ver sua mãe ser morta com uma serra elétrica. Desse em momento em diante, o assassino começa a nutrir a sua deturpada personalidade de serial killer. Harry está o tempo todo colocando limites à esse desejo, mostrando alternativas para que o garoto venha salvar-se, não do próximo mas de sua própia má-índole.

Deus é o nosso guia. Está o tempo todo a impor limite em nossa natureza. Ele não o faz de modo repressor mas, entende que nascemos assim e nos oferece alternativas para que a auto-destruição não culmine o nosso fim. Imagine um mundo sem qualquer influência de princípios cristãos. Por mais que o mundo todo não se converta à nossos ensinos do Cristianismo, o que penso ser positivo, toda a humanidade possui no seu amago o código de Deus, e graças a esse sistema de "regras" a criação ainda não está em extinção.

A conduta da humanidade dentro dos padrões divinos é tão influente que mesmo quando ela não está totalmente explícita, ela ainda estará lá. Pode-se tentar subvertê-la mas sempre dará no mesmo: o homem fugindo dele mesmo como única alternativa de sobrevivência.

O Cristo Contemporâneo

Por rap em 30 junho 2008 na categoria Artigos, Espiritual, Idéias, Opinião

“Esqueça o evangelho de esperança, troque-o pela mensagem positivista de auto-ajuda.” Essa é a pregação implícita dos motivos de sucesso que devemos ter na vida. “Quer ter sucesso? Aprenda com Cristo”. Esse é o slogan que encontraremos em palestras de auto-ajuda, não somente em tais reuniões, mas também em templos que supostamente falam de Cristo como Salvador.

Jesus é tão bem citado como o maior alguma coisa de todos os tempos que a mensagem deixada, de esperança, de uma nova vida em contraponto com as dificuldades, é totalmente esquecida. A imagem que querem criar é de alguém que nunca teve sofrimento, ao contrário do que pode ser observado. Ele chorou quando um amigo morreu (Jo 11), teve tristeza quando a morte se lhe apresentou (Mt 26:38), se irou com os mercadores no templo (Jo 2). Ele esteve em estado humano e, provavelmente não seria o melhor exemplo de vida próspera para um pseudo-cristão.

Cristo Jesus não foi o maior líder de todos os tempos porque conseguiu fazer com que onze pessoas falassem de sua filosofia a todo mundo, isso Lao-Tsé, Maomé e muitos outros também conseguiram fazer. Igualam-no com funções meramente humanas. Quanta presunção comparar a função única de consolador com a de um psicólogo. Ele via além do que podemos ver em testes de psicanálise e comportamento, sabia qual era a intenção do coração.

As fórmulas de sucesso e prosperidade estão muito aquém do que é libertação, certeza de imortalidade e amor. “Suba na vida”, “seja o melhor”, repetindo isso a nós mesmos colocamos o seguir a Cristo em último plano, negamos a soberania de Deus que pode fazer aquilo que bem entender com nossas vidas. A frustração generalizada com a vida nos dias atuais é uma constante, pois o ideal do modelo econômico e social que vivemos se sobrepôs à certeza de que a vida corporal se esvai.

Negamos a Cristo se o compararmos às profissões que criamos. Jesus foi único em seu propósito, não veio a terra para liderar, para dar uma de psicólogo ou para ser o melhor marceneiro de todos os tempos, veio anunciar boas-novas, tanto para essa vida quanto para a vida que se segue, ele veio para ser o remissor da humanidade, dando a chance de amor pleno e contínuo.

Salvador? Alguns perguntam: quem precisa disso? Eu posso me ajudar, me salvar, há necessidade de outra pessoa para cuidar de mim? Enquanto para uns poucos Cristo é totalmente negado em seu propósito, por outros a função de Salvador da humanidade é mera metáfora, foi rebaixado. Há pior indiferença com alguém do que essa?

Pode até soar como religiosidade barata, mas Jesus é o Salvador, um exemplo a ser seguido para a vida e não somente para alguns segmentos dela.

Não toques no ungido do Senhor

Por rap em 9 junho 2008 na categoria Artigos, Espiritual, Opinião

Provavelmente essa seja a maior causa da grande hipocrisia e o maior empecilho de pregação do evangelho que exista: a imunidade espiritual. “Ministros” cristãos se utilizam de versículos isolados para criar uma imunidade parlamentar espiritual, que está acima de qualquer dúvida ou questionamento. Eles têm o direito de falar qualquer coisa mesmo em dissonância com a Bíblia, e tudo que falam se torna verdade absoluta, com a maldição eterna sobre a vida daquele que ousa questionar.

Em 2 Co 2:21;22 é-nos dito que fomos confirmados e ungidos por Deus, não alguns mas todos. O mais impressionante é que o versículo-base para esse jargão é usado totalmente fora de contexto. Em I Cr 16:22 “Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas”, Davi estava falando dos que estavam em perseguição indo para Canaã, ou seja, o versículo é usado descaradamente para fins próprios.

Respeito através do medo sempre foi o meio mais fácil de dominação que existiu. É fácil colocar medo no coração das pessoas para que nada falem contra “autoridades” espirituais do que considerar cada um superior a si mesmo.

A acepção de pessoas se torna realidade pelo fato de ter-se criado uma hierarquia na igreja, que é puro desejo de poder. Quem chegará ao topo da hierarquia mais rápido? Quem será por todos respeitado e ouvido? Os hipócritas autoritários do alto escalão que não serão!

Tem-se início a política quase parlamentar que nem como democracia ou teocracia funciona. O sistema que se destaca na igreja atual é a monarquia, não de Cristo, mas de homens sedentos por poder.

Em meio a tudo isso há ainda alguns que não se importam com os títulos e que estão “sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que pedir a razão da esperança que há em vós;” (I Pe 3:15). Aqueles que se escondem sob um título ou sob uma unção, não respondem sobre a esperança porque simplesmente não pregam sobre ela, por muitas vezes nem sabem que esperança é essa, pregam tanto sobre recompensas terrenas que se esquecem que a nossa recompensa está além-vida.

Empecilho para o evangelho porque os que usam desse “privilégio” se tornam detentores absolutos da verdade e o jugo e fardo de Cristo se tornam contrários ao que Jesus disse, se tornam pesados e difíceis de carregar.

O fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, conhecido como Bida, arrostara no ano passado uma condenação exemplar. Amargaria 30 anos de cana por ter encomendado a morte da missionária americana Dorothy Stang. Levado a novo júri, nesta terça-feira (6), o culpado virou inocente.

Reza a legislação brasileira que, quando condenados a mais de 20 anos de cadeia, os réus têm direito a um segundo julgamento. Além de Bida, foi re-julgado agora o personagem que acionou o gatilho que levou a missionária à cova: Rayfran das Neves Sales, o Fogoió, que fora condenado a 28 anos de prisão.

O que mudou entre um julgamento e outro? Mudaram as versões. Tome-se o exemplo de Amair Feijoli Cunha, o Tato. Ele freqüenta as folhas do processo na condição de elo de ligação entre Bida, o fazendeiro mandante –ou ex-mandante— e Fogoió, o pistoleiro.

Pois bem. Réu confesso, o intermediário Tato, já condenado a 18 anos de prisão, foi ouvido como testemunha diante do novo júri. E desdisse o que dissera no primeiro julgamento. Antes, sustentara que o fazendeiro Bida o havia procurado, para que contratasse o pistoleiro Fogoió. Dissera que a irmã Dorothy fora passada nas armas mediante pagamento de R$ 50 mil.

Agora, Tato disse que mentira nos depoimentos anteriores. Não houve nenhuma encomenda do fazendeiro. Para sensibilizar os jurados, Tato diz ter encontrado Jesus. Converteu-se a uma denominação evangélica. Agora, sim, está dizendo a verdade.

Funcionou. Por cinco votos a dois, os jurados absolveram o fazendeiro Bida. Os mesmos jurados mantiveram a condenação imposta anteriormente ao pistoleiro Fogoió: 28 anos de calabouço.

Noves fora o fato de que o Brasil vai ao noticiário internacional em posição constrangedora, restou sobre o cadáver da missionária um processo judicial reduzido a cinzas. Restaram condenados um intermediário que não tinha o que intermediar e um assassino que, sem os R$ 50 mil da recompensa, não tinha razão para matar.

Quanto ao júri, desce à crônica policial na condição de representantes da sociedade, convocados para dar crédito a mentiras. Ou posto de outro modo: o júri validou um feixe de verdades que esqueceram de acontecer. No mais, só o espanto (!), o assombro (!!), a estupefação (!!!).

Blog do Josias

Entrevista com CS Lewis

Por Luciana em 14 fevereiro 2008 na categoria Artigos, Idéias

Há alguns dias, recebi via email uma antiga entrevista feita ao escritor irlandês CS Lewis. Segundo informações, as questões formuladas por empregados da Electric and Musical Industries Ltd., Heyes, Middlesex, Inglaterra, em 18 de abril de 1944.

Para quem não o conhece, Clive Staples Lewis, ou simplesmente C.S. Lewis, produziu uma vasta obra literária e é considerado por muitos o maior pensador cristão do século XX - pela sobriedade e lucidez das respostas a seguir dá pra imaginar a razão disto.

Pergunta: Qual das religiões do mundo confere a seus seguidores maior felicidade?
Lewis: Qual das religiões do mundo confere a seus seguidores maior felicidade? Enquanto dura, a religião da auto-adoração é a melhor. Tenho um velho conhecido já com seus 80 anos de idade, que vive uma vida de inquebrantável egoísmo e auto-adoração e é, mais ou menos, lamento dizer, um dos homens mais felizes que conheço. Do ponto de vista moral, é muito difícil. Eu não estou abordando o assunto segundo esse ponto de vista. Como vocês talvez saibam, não fui sempre cristão. Não me tornei religioso em busca da felicidade. Eu sempre soube que uma garrafa de vinho do Porto me daria isso. Se você quiser uma religião que te faça feliz, eu não recomendo o cristianismo. Tenho certeza que deve haver algum produto americano no mercado que lhe será de maior utilidade, mas não tenho como lhe ajudar nisso.

Pergunta: Os materialistas e alguns astrônomos sugerem que o sistema solar e a vida como a conhecemos foram criados por uma colisão estelar acidental. Qual é a visão cristã dessa teoria?
Lewis: Se o sistema solar foi criado por uma colisão estelar acidental, então o aparecimento da vida orgânica neste planeta foi também um acidente, e toda a evolução do Homem foi um acidente também. Se é assim, então todos nossos pensamentos atuais são meros acidentes – o subproduto acidental de um movimento de átomos. E isso é verdade para os pensamentos dos materialistas e astrônomos, como para todos nós. Mas se os pensamentos deles – isto é, do Materialismo e da Astronomia – são meros subprodutos acidentais, por que devemos considerá-los verdadeiros? Não vejo razão para acreditarmos que um acidente deva ser capaz de me proporcionar o entendimento sobre todos os outros acidentes. É como esperar que a forma acidental tomada pelo leite esparramado pelo chão, quando você deixa cair a jarra, pudesse explicar como a jarra foi feita e porque ela caiu.

Pergunta: A aplicação dos princípios cristãos daria um fim ou reduziria enormemente o progresso material e científico? Em outras palavras, é errado para um cristão ser ambicioso e lutar por progresso material?
Lewis
: É mais fácil pensar num exemplo mais simples. Como a aplicação dos princípios cristãos afetaria alguém numa ilha deserta? Seria menos provável que esse cristão isolado construísse uma cabana? A resposta é “Não”. Pode chegar um momento em que o Cristianismo o diga para se preocupar menos com a cabana, isto é, se ele estiver a ponto de considerar a cabana a coisa mais importante do universo. Mas, não há nenhuma evidência de que o Cristianismo o impediria de construir um abrigo. Ambição! Devemos ter cuidado sobre o que queremos dizer com essa palavra. Se for desejo de passar à frente de outras pessoas – que é o que eu penso que quer dizer – então, ela é uma coisa má. Se significar apenas desejo de fazer bem uma coisa, então é boa. Não é errado para um ator querer atuar tão bem quanto possível, mas desejar ter seu nome escrito com uma letra maior do que a de outros atores, isso sim é errado.

Pergunta: Tudo bem em ser General, mas se alguém tiver a ambição de ser General, então não dever ser.
Lewis: O mero evento de se tornar um General não é nem certo, nem errado em si mesmo. O que importa moralmente é sua atitude em relação a isso. O homem pode estar pensando em vencer a guerra; ele pode estar desejando em ser General porque honestamente pensa que tem um bom plano, e ficará feliz em colocá-lo em prática. Isso está ok. Mas, se ele pensa: “O que posso ganhar com esse emprego?” ou “O que devo fazer para aparecer na primeira página do Illustrated News?” então, isso é errado. O que chamamos de ambição, usualmente, significa o desejo de ser mais notável ou mais bem sucedido que outra pessoa. É o elemento competitivo que é nocivo. É perfeitamente razoável querer dançar melhor ou ter uma aparência melhor do que outros – quando você começar a perder o prazer se outros dançarem melhor que você ou tiverem uma melhor aparência, então você está indo na direção errada.

Fonte: Glaucia Santana (agradecimentos a Kenny por ter compartilhado essa entrevista).

Cristãos, cachaça e a tendência para a chatice

Por Thiaguitar (Thiago Bomfim) em 16 janeiro 2008 na categoria Artigos, Espiritual, Humor, Música, Opinião, Vídeo

christian drunkCristãos tem uma forte tendência para se tornarem chatos.

Seja no momento da euforia, que algumas pessoas gostam de chamar de “o primeiro amor”, ou no jubileu “sou daqui desde que nasci”.

Sempre há uma tendência para a chatice, que alguns casos chega ao status de esquizofrenia.

E se vocês acham que estou exagerando em definir esse estado pé-no-saquístico gospel como uma doença, observem a definição de Esquizofrenia tirada da Wikipedia:

A esquizofrenia é uma doença mental grave que se carateriza classicamente por uma coleção de sintomas, entre os quais avultam alterações do pensamento, alucinações (sobretudo auditivas), delírios e embotamento emocional com perda de contato com a realidade, podendo causar um disfuncionamento social crónico.

Se isto remete a alguma lembrança, saiba que não é fruto da sua imaginação. Você já viu/sentiu esses sintomas em algum lugar. Posso dizer que fui tratado, e a única sequela que me restou é a memória desses dias.

O tratamento para tal mal está aonde ele foi gerado, mas as doses do medicamento devem ser constantes e homeopáticas. Preciso ser mais explícito nessa parte:

E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. (João 8:32)

Vou usar a metáfora da cachaça para explicar as doses de medicação que trarão resultado no tratamento. A receita, foi copiada da música On The Oder Side , do The Strokes.

I hate them all
I hate them all
I hate myself for hating them
So I’ll drink some more
I love them all
I’ll drink even more
I’ll hate them even more than I did before

Explicação:

1º fase: I hate them all (Odeio todos eles) - Antes do contato com a doença. Sintomas: Ignora qualquer conceito de Deus e espiritualidade, e se tem algum, de certa forma é deturpado.

2º fase: I hate myself for hating them (Me odeio por odiá-los) - Primeiro contato com o cristianismo. Sintomas: crises existenciais e acentuado sentimentalismo. Um período onde se acorda para uma realidade, onde o eu toma o segundo lugar diante da existência de Deus e do próximo.

3º fase: So I’ll drink some more, I love them all (Então bebo mais um pouquinho, E amo a todos eles) -Essa é a fase legal, onde a pessoas tem um contato com o cristianismo, mas ainda não se embriagou de legalismos doutrinários. O foco está no amor ao próximo e o chororô se torna menos constante.

4º fase: I’ll drink even more, I’ll hate them even more than I did before (Beberei ainda mais, e odiarei a todos mais que antes)- Esta é a fase da esquizofrenia crônica. A pessoa já foi além da conta da “birita gospel”. Frequentou escolas dominicais, fez cursinhos teológicos, e já leu todos os livros do Silas Malafaia. Já tem em sua coleção, todos os cds do Diante do Trono. Em casos peculiares encontramos “acervos” com exemplares dos cds da Jamily, Tempo de Vencer. No estágio final a pessoa se tornou um legalista, com parâmetros que definem quem vai ou não para o céu. Culturalmente tem o costume de abandonar tudo que não tenha uma label gospel/evangélico, e a isso soma-se uma lista de modos e dizeres. Na maioria dos casos, indivíduos portadores criam um vocabulário próprio que os aliena das demais rodas de conversa fora da igreja. O amor ao próximo deu lugar ao, “eu provarei que estou certo”.

Existem outras evidências de contaminação, mas me limitarei nessas, porque este post já está muito grande para um calouro.

Esta é a música On the Oder Side, do The Strokes :

http://www.youtube.com/watch?v=DRu-y_yRONo

Ler devia ser proibido

Por Luciana em 21 março 2007 na categoria Artigos, Idéias, Opinião, Vídeo

A principio, a afirmação acima parece ser bem absurda, mas ao me deparar no orkut e ler a descrição da comunidade com este mesmo nome, tive que concordar.

O video não deixa dúvidas da transformação que o ser humano tem ao ler um livro. O que me deixou a questionar, se determinadas pessoas não tentam impedir que cheguemos perto de livros para que não haja mudanças significativas. 

Ler devia ser proibido

 [...]
A leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.)Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp.71-3.

Carta de Agradecimento

Por Luciana em 10 março 2007 na categoria Artigos, Espiritual, Opinião

Olá pessoal,

Posso estar sendo meio chata ao postar isso, mas decidi que hoje seria um dia para agradecer e não mais chorar. Por tomar essa decisão acabei me inspirando e saiu esse texto, que pra mim acabou por se tornar muito especial pois vi o quanto sou afortunada.

*************

Os últimos meses para muitos de nós, não tem sido nada fácil, tenho sido uma péssima amiga que só chora pelos cantos e reclama da vidinha que aparentemente é tão ruim para mim, mas em comparação a outros é tão afortunada. No entanto, a dedicação e carinho que vocês têm mostrado por mim, me surpreende a cada dia. Apesar de reclamar em excesso vocês me escutam, me consolam e aconselham.

Por isso agradeço a todos vocês da única forma que consigo me expressar. Saber que sempre contarei com vocês, me faz querer levantar e continuar caminhando. Vocês não sabem como me alegro quando, após um dia atribulado, recebo uma ligação ou email de vocês, dizendo que oram por sem saber porque o fazer. Nada mais me alegra mais que saber que temos um Deus tão grande, que pede a vocês que intercedam por mim quando mais necessito.

Saibam que também oro por todos vocês, sempre que o Senhor me incita. Digo isso a vocês não por presunção, mas por saber como é importante saber que há pessoas intercedendo por nós, sem saber das dores do nosso coração.  Ao ouvir que meus textos falam ao coração de vocês, que a mensagem do Senhor chega a vocês por meus textos faz de mim a pessoa mais feliz, percebo que estou usando o talento que o Senhor me deu da forma que Ele sempre desejou.

Obrigada a todos. Por me ouvirem, chorarem comigo, orarem por mim. Saibam que cada um de vocês possui um lugar especial no meu coração. Por me fazerem perseverar e ver que mesmo em silêncio, o Senhor não me abandonou. Estejam certos que do mesmo modo que Deus tem usado vocês para me abençoarem, tem a usado a mim e tantos outros para abençoarem a vida de vocês também, seja aconselhando, com um ombro amigo, ou até mesmo orando, sem ao menos termos tempo para pedir isso a alguém. Os sonhos Dele conosco são grandes e já estão começando a se cumprir, só temos agora que mantermos a fé e a confiança no Senhor, pois todo o resto já está preparo. Um grande beijo e obrigado por existirem em minha vida.

 

Entendendo a beleza da decepção

Por Luciana em 24 janeiro 2007 na categoria Artigos, Espiritual, Música, Opinião

Escrevi isso há dois anos atrás. Mais exatamente no dia 28 de novembro de 2004.  estava a ouvir a música do SwitchfootThe beautiful letdown – e comecei a ponderar sobre o que a canção mencionava. À medida que ia ouvindo a musica fui percebendo quão honesto fora o poeta. A música fala do momento que percebemos a fraqueja da igreja, ate este momento so conhecemos a Deus de ouvir falar, buscamos Deus, mas o buscamos cegos. Aos poucos, começamos a abrir nossos olhos, nossas pálpebras no inicio tendem a se fechar, como assim fazemos quando olhamos diretamente para o sol.
À medida que abrimos nossos olhos percebemos o quão falho, hipócrita, mentiroso e amargo o ser humano é. Isso nos faz tombar, caímos no chão com uma força dez vezes maior do que temos em nosso corpo. Mas agora deixamos de ser cegos. E é nesse momento que começamos a entender o motivo de vivermos, o que esta escrito na bíblia e a nos aproximarmos de Deus.
Reler tudo que escrevi foi para mim interessante. Percebi que hoje vejo mais verdades na poesia do que há dois anos atrás. Para mim, mostra meu amadurecimento e, mais uma vez, me questionar: onde estou neste momento? Com os olhos bem abertos ou ainda a abri-los?
Para outros, espero que, ao lerem tudo isso faça com que haja ponderação, que ao ler tudo isso tente entender meu ponto de vista, busque a sua própria conclusão e se questione onde você está. Afinal, só olhando para trás podemos ver o quanto crescemos.

______
 

“Foi uma bela decepção quando eu me arrebentei e me queimei, quando me encontrei sozinho, estranho e ferido. Foi uma bela decepção o dia em que soube que todas as riquezas que este mundo tem pra oferecer nunca satisfarão…”

Somos decepcionados quando nos posicionamos de frente ao mundo e percebemos que nada disto importa. Então nos perguntamos: O que estamos fazendo aqui? Qual o motivo da vida?
 
“…Em um mundo cheio de amargas dores e dúvidas amargas,
Eu estava me esforçando bastante pra me adaptar, encaixar-me
Até eu descobrir que eu não pertenço a este lugar
Conduzirei uma cruz e uma canção no lugar a que não pertenço…”
 
Procuramos nos adaptar ao mundo para não sofrermos mais. Só que já estamos em uma fase tão longe não mais conseguimos voltar a sermos ingênuos como antes.
 
Quando chegamos a esta conclusão, percebemos que não há porque termos que nos adaptar ao mundo. Temos que continuar caminhando, sofrendo as conseqüências, pois sabemos agora que este mundo não é para nós.
 
“…Foi uma bela decepção quando você me encontrou aqui
Sim, pela primeira vez na vida eu vejo tudo claro
Serei uma bela decepção e isto é o que sempre serei
E embora isto possa custar a minha alma
Eu cantarei livremente…”
 
Passamos a nos encantar com as decepções  pois assim temos a certeza de que estamos lutando para chegar a um objetivo maior que qualquer sonho que tivemos antes. Não nos importa mais nada a não ser cantarmos livremente o que nosso coração está sentindo neste momento e não importa o preço a pagar.
 
“…Ainda estamos perseguindo nossos rabos sob o sol nascente
Em nosso escuro planeta água que ainda gira
Em uma direção em que ninguém ganha
Ninguém ganhou…”
 
Declaramos para quem quiser ouvir a verdade, andamos a  sombra dos outros, ficamos nos arrastando ra onde os outros cegos, como nós estão indo sem saber ao certo o que encontraremos no final.
 
“…Eu vou me aprontar e levantar velas
Pois o reino vem, vem o reino, venha o Teu reino
Não me desapontará, sim
Deixa meu orgulho tolo para sempre me desapontar…”
 
Começamos uma nova jornada em nossas vidas. Sabemos para onde devemos seguir, pois agora temos alguém em nossa frente com uma candeia iluminando o caminho. Ele também sabe o que encontraremos no final da jornada e, por isso, temos mais fôlego e vamos preparados para a viagem.
 
“…Ah, vida fácil, você não é bem como o nome diz
Morte fácil, você parece a mesma coisa
Você, por favor, me tira da sua lista?
Vida fácil, por favor, venha e me desaponte…”
 
A vida que tínhamos, começa a se tornar clara, parecia fácil, mas nos damos conta de que não era. A nossa atua vida é mais dura que a antiga, mas estamos mais confiantes de vencê-la pois agora sabemos qual será nossa recompensa.
 
“…Somos uma bela decepção, dolorosamente inseguros
A igreja dos marginalizados, dos perdedores, dos pecadores,
Dos falhos e dos tolos…
Que bela decepção, somos sal na ferida?
Hei, vamos cantar uma harmonia verdadeira!”
 
Agora sabemos como ignorantes éramos a respeito de nós mesmos. Começamos a ver que não é só na casa ao lado que as pessoas são tolas, nós também somos. Por isso temos que ser sinceros para não voltarmos para a antiga vida que antes vivíamos, uma vida que não existia, era só maquiada.
 
Vamos começar a ser verdadeiros e descobrirmos as decepções da nossa vida. Só assim, quebrando a cara, é que vamos conseguir encontrar o verdadeiro caminho e assim fazermos nossas vidas terem um significado.
 
E não seremos mais um que passou e foi esquecido.
 

 

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